câmera indiscreta – madan/ademir assunção

terça-feira, 12 de julho de 2011

Denise Emmer

foto: assis melo

TARDE NO MAR
Tarde e moleza marolas e mascavo
Nada suponho nada sei nada respondo
Não sei o nome do mundo
E seu patrono

Leio jornais em branco folhas velhas
Cartas passadas notícias reviradas
Do que me valem as novas utopias
Se o que me traz o mar
É uma garrafa vazia.



NAVIOSVenho ao cais esperar navios
Sucedem-se as altas vagas
Aceno sinais de estio
Às vesperas adiadas

Te aguardo e quando te espreito
Arrastam-se os segundos
O vento esticou o mundo
Nos cárceres dos estaleiro

Passam veios, horas largas
Nenhum sinal de teu fardo
Busco-te a cada entrada
O que me passas - passado.



IMAGINO
Imagino línguas de cães em meu vestido
Tocas meu corpo como se quebrasse um vidro
Lençóis da noite são as águas quentes
Que provocas com um beijo simplesmente

Imagino sombras secretas sobre um muro
Quando me abraças contra o portão escuro
A rara alfombra nos cobre de inverno
E eis que alcanço a glória do inferno.


Denise Emmer