câmera indiscreta – madan/ademir assunção

terça-feira, 22 de março de 2011

Glaucoma

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Meus olhos que ardem essa ânsia
de não ver um palmo de futuro
À frente, o paraíso da sacada
avistando o abismo de mil andares
Abaixo, pessoas circulam em cirandas
sem se dar as mãos

Eu, nessa terra de cego
esperando o rei
que enxergue a palavra
e me tatue
em alto relevo
me leia em voz baixa
não sem antes me arrancar
a pele e transformá-la
em Corão
profano

Lara Amaral
http://laramaral-teatrodavida.blogspot.com/




Disforme


Perdi os meus modos
Rasguei os modismos
Quebrei a moldura
Que molestava meu rosto.
Esfarelei as moléculas
Me reverei em cubos
Cones, cilindros
Seios nos olhos
Olhos nas coxas
Boca no sexo
Céu na boca
Língua nos ares
Comendo as moscas,
Palavras na sopa
Da área do barulho.
As múmias se levantam
Das pinturas cubistas
Tropeçam nas formas
Com a cara no concreto,
Ossos por todos os lados
Almas a navegar no céu,
Batucada com ossos
Umbigada de vento
Beijo de sopro mordido
No perfume que veste
A caveira ambulante
A mulher de cubos
Encaixada nos fósforos
Que ascende a alma
Riscando a vida
Na chama que chama
A vida que ascende e apaga
Num sopro só.
Quero me virar em cubos
Tinta, fogo, chama
Na cama, no ventre
De frentre, pra trás.....
No cais do País do Navegar
Vejo o barco voando
No sopro do vento
Penetrando as nuvens
Despindo os mares
Na fúria das marés
Que batem nos meus pés....


Alcinéia Marcucci

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