câmera indiscreta – madan/ademir assunção

domingo, 20 de fevereiro de 2011

olga savary



“Sou refém de sexo, mas não de homem; me viro muito bem sozinha”


MAR I

para ti queria estar
sempre vestida de branco
como convém a deuses
tendo na boca o esperma
de tua brava espuma.
Violenta ou lentamente o mar
no seu vai-e-vem pulsante
ordena vagas me lamberem coxas,
seu arremesso me cravando
uma adaga roxa.

MAR II

Amo-te, amor-meu-inimigo,
de mim não tendo piedade alguma.
Amo-te, amor-sol-a-pino,
feroz, sem nenhuma sombra.
Estás inteiro em mim
e vou sozinha.
Ao ver-te, amor, minha sorte ficou
como se diz: marcada.
Mar é o nome do meu macho,
meu cavalo e cavaleiro
que arremete, força, chicoteia
a fêmea que ele chama de rainha,
areia.

Mar é um macho como não há nenhum.
Mar é um macho como não há igual
¾ e eu toda água.

Olga Savary - veja entrevista aqui

arranquei as paredes da casa claro como se fosse óbvio ainda vivo a procura dos olhos de mar de uma menina que ainda mora em bento e mesmo viva diz que morta está arranquei os telhados do teto como se não fosse o óbvio alice ainda está em são francisco com saudades dos anos 70 ouço belchior


arranquei os retalhos do corpo claro como se fosse óbvio panso quentes não me servem para nada vivo a procura de um tempo mesmo ainda vivo ele diz que morto está eram 25 anos de sonho e sangue muito mais sangue que sonhos no teatro real além da mesa posta quando judas não se furtou de carregar a sua cruz e os restos mortais da santa ceia me deram hoje o couro cru a carne viva na memória de olga como se fosse óbvio ter sobrenome savary

assim procurando os olhos de mar da menina de bento encontrei essa mulher do rio de janeiro vinda ainda menina de belém do pará trazendo na carne nas veias bagagens dos cios florestas que reapartiu em versos para desaguar no mar

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